*Noemí Araujo Lopes
Há exatos dezesseis (16) dias do 1º turno das Eleições a disputa eleitoral tem se intensificado e se transformado em um campo minado, no qual cada declaração e ação que não seja minimamente pensada e calculada pode se virar contra o candidato. Diante disso, a cautela na divulgação dos Planos de Governo de Dilma Rousseff e Aécio Neves, depois das intensas críticas direcionadas às constantes alterações do Plano de Governo de Marina Silva.
As recentes pesquisas registram que a candidata Petista lidera as intenções de voto para presidente no 1º turno, em segundo Marina Silva e depois, Aécio Neves – o único candidato que registrou crescimento no último levantamento.
Nesta semana, durante mais uma reunião da CPI mista da Petrobrás, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, delator do esquema, foi convocado a prestar esclarecimentos na reunião, respondendo às perguntas do relator. Entretanto, usou a prerrogativa de permanecer calado para não colocar em risco os termos da delação premiada, negociada com a Justiça Federal do Paraná. Sem respostas, os parlamentares usaram a reunião para troca de acusações e palanque eleitoral.
Dilma cai, Marina estaciona e Aécio sobe
Na mais recente pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, o tucano Aécio Neves cresceu de 15% para 19%, reduzindo de 16 para 11 pontos porcentuais a desvantagem em relação a Marina Silva (PSB), segunda colocada na corrida presidencial com 30% das intenções de voto. Dilma Rousseff (PT) continua na liderança, mas caiu para 36%. Este é o cenário para o 1º turno. Na projeção de 2º turno, Marina (43%) e Dilma (40%) estão em situação de empate técnico. Na simulação de 1º turno, a taxa de intenção de voto em Aécio subiu 6 pontos na região Sul, de 17% para 23%. Lá, o tucano empatou tecnicamente com Marina, que tem 26%. Dilma lidera de forma isolada no Nordeste (48%) e no Sul (34%). Nas demais regiões, aparece empatada tecnicamente com Marina.
Cautela com os Planos de Governo
Dilma suspende programa de governo após impasse entre alas do PT, tendo em vista que algumas defenderam bandeiras contrárias às do Planalto. Desta forma, prezando pela cautela, e evitando correções futuras, a candidata do partido à reeleição, Dilma Rousseff, suspendeu a publicação do seu plano de governo. Segundo a Folha, há divergências em temas como direitos humanos e jornada de trabalho. As críticas geradas às mudanças constantes no programa de Marina Silva (PSB) também inspiraram precaução entre petistas.
O candidato Aécio Neves havia prometido divulgar seu Plano até segunda – feira (15), mas não o fez. Questionado, afirmou que lançará o programa antes do 1º turno das Eleições.
Paulo Roberto Costa se cala em CPI
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa compareceu nesta quinta - feira (18) à CPI mista da estatal no Congresso, em Brasília. Os parlamentares membros da Comissão estavam na esperança de obter as informações que Paulo Costa forneceu para a Polícia Federal. No entanto, para o descontentamento e até mesmo revolta, o delator usou a prerrogativa de permanecer calado para não colocar em risco os termos da delação premiada, negociada desde o final do mês passado com a Justiça Federal do Paraná.
Diante do silêncio, a sessão da comissão fugiu do foco investigativo e se transformou em palanque para governistas e oposicionistas reforçarem os discursos eleitorais de seus candidatos ao Palácio do Planalto. Os primeiros, se valeram do silencio do delator para relembrar que escândalos políticos também ocorridos durante o governo de FHC. Já a oposição se valeu do ataque a presidente Dilma Rousseff comparando o esquema delatado pelo ex-diretor ao mensalão.
Ao final da reunião, integrantes da CPMI da Petrobras aprovaram requerimento para ouvir a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza. O relator da comissão, deputado Marco Maia (PT-RS), assumiu o compromisso em dar continuidade aos trabalhos, mesmo no período pré-eleitoral, sem que haja interrupções no processo investigatório.
OCDE reduz previsão de expansão do PIB brasileiro
O escândalo da suspeita de corrupção na Petrobras ameaça afastar investidores, afeta a credibilidade do Brasil e deve afetar a capacidade da economia de se recuperar. O alerta é da OCDE, que reúne os países desenvolvidos. A entidade aponta que, em 2014, a economia nacional terá um dos piores desempenhos entre os maiores mercados do mundo. Mesmo saindo da recessão, o Brasil terá um ano de 2015 com um crescimento medíocre e apenas em 2016 é que haveria retomada. Segundo a previsão, a expansão do PIB em 2014 será de apenas 0,3%.
Redução da taxa de fome
Na terça – feira (16) a ONU afirmou que nos últimos dez anos o Brasil conseguiu reduzir à metade a porcentagem de sua população que sofre com a fome, cumprindo assim um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), fixados pelas Nações Unidas para 2015.
Estas conclusões, de acordo com a Folha, são recolhidas no relatório sobre o estado da insegurança alimentício no mundo publicado pela ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e outros dois organismos da ONU: o Fundo Internacional do Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).
As taxas divulgadas no relatório indicam redução do índice de pobreza de 24,3% para 8,4% entre 2001 e 2012; enquanto a pobreza extrema que era 14% caiu para 3,5%.
Prognóstico para Câmara dos Deputados na Eleição 2014
Com base em informações qualificadas – como serviços prestados, vinculação a grupos políticos, econômicos e sociais, influência regional, estrutura partidária e apoio financeiro – o DIAP promoveu um amplo levantamento destinado à elaboração de prognóstico sobre a composição da Câmara dos Deputados, a ser eleita em 2014.
Segundo o prognóstico do DIAP, apesar de menores em relação às atuais bancadas, o PT e o PMDB continuarão, respectivamente, como primeira e segunda maiores bancadas. O PSDB continuará em terceiro lugar e o PSD e o PP disputam a quinta posição. O PR e o PSB disputam a sexta posição, seguidos do DEM, do PTB, do Pros, do SD, do PDT e do PCdoB.
De acordo com a tabulação dos dados, que considera o possível desempenho eleitoral de cada partido em cada uma das 27 unidades da Federação, a Câmara dos Deputados continuará muito pulverizada, com a redução das bancadas dos principais partidos em relação ao pleito de 2010 e aumento do número de agremiações com representação na Casa, que deve passar de 22 para 28.
A provável redução da bancada ou o número de eleitos se justifica, entre outras razões, pela criação de partidos em 2013, como PSD, Pros e SD, que tiveram importantes adesões, com a consequente perda de parlamentares em todos os grandes e médios partidos, com exceção do PT.
Apenas dois partidos (PT e PMDB), que certamente terão mais de 50 deputados, poderão ser classificados como grandes. Na categoria de médio, com entre 20 a 49 deputados, podemos citar PSDB, PP, PSD, PSB, PR, DEM e PTB. Podem ser enquadrados como pequenos, com entre 10 a 19 deputados: PRB, PV, PPS, SD, Pros, PDT, PCdoB e PSC. Na condição de muito pequenos, apelidados pejorativamente de nanicos, com menos de dez deputados, podemos citar: PSol, PMN, PTdoB, PRP, PRTB, PTC, PEN, PHS, PSDC, PTN e PSL.
(*) Bacharel em Ciência Política; Assessora Legislativa e Jornalista na Contatos Assessoria Parlamentar