Em sessão marcada por discussões ásperas, o Plenário do Senado concluiu na noite desta quarta-feira (4) a composição da Mesa Diretora para os próximos dois anos. Os senadores elegeram uma chapa única, preenchendo nove dos dez cargos que ainda estavam pendentes de decisão. A única exceção foi o cargo de terceiro-suplente, a ser preenchido posteriormente.
A Mesa terá representação de 7 dos 15 partidos que compõem o Senado. No entanto, não contará com integrantes do PSDB, do PSB e do DEM — respectivamente, terceiro, quarto e quinto maiores partidos da Casa. As bancadas dessas legendas se retiraram da votação em protesto contra sua ausência da chapa. A lista foi aprovada por 46 votos a 2, com 1 abstenção.
A chapa eleita foi apresentada por líderes de 9 partidos e apoiada por representantes do PP, cuja liderança não ratificou os nomes. PSDB e PSB não estavam contemplados na chapa. Os partidos entendem que, pelo critério da proporcionalidade têm direito a vagas. A lista chegou a incluir uma representante do DEM, Maria do Carmo Alves (SE), para a terceira suplência, mas seu nome foi retirado pelo partido.
Inconformismo da oposição
Líderes das legendas não contempladas protestaram com veemência contra sua ausência na chapa escolhida. A maioria das críticas foi direcionada ao presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), a quem senadores oposicionistas acusaram de não buscar consenso entre os líderes para a composição de uma chapa que respeitasse a proporcionalidade.
Renan argumentou que não é função do presidente do Senado interferir nos nomes apresentados para a disputa pela Mesa, e que sempre defendeu a conciliação entre os partidos como a melhor solução.
O PT foi um dos partidos que bancou a chapa vencedora. O líder da sigla, Humberto Costa (PE), negou que a chapa tenha sido “troco” pela disputa eleitoral pela Presidência, mas reconheceu que ela recompensa partidos que integram a base aliada do governo — e que apoiaram a reeleição de Renan. E também minimizou o fato de que a Mesa eleita não inclui partidos que, pela regra da proporcionalidade, teriam direito a ocupar cargos.
Futuro incerto
Os partidos que ficaram de fora da composição da Mesa prometeram intensificar a postura oposicionista como forma de reação à eleição conturbada.
O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), prometeu embates duros em todos os temas que chegarem ao Senado e mobilização popular por parte da oposição.
João Capiberibe (PSB-AP) analisou que será necessário para seu partido rever a posição de independência — “equidistante da oposição e do governo” — que vinha adotando no Senado.
Mesa Diretora do Senado Federal para o biênio 2015/2016:
Presidente do Senado: Renan Calheiros (PMDB-AL)
Primeiro Vice-Presidente: Jorge Viana (PT-AC)
Segundo Vice-Presidente: Romero Jucá (PMDB-RR)
1º Secretário: Vicentinho Alves (PR-TO)
2º Secretário: Zezé Perrela (PDT-MG)
3º Secretário: Gladson Cameli
4º Secretário: Ângela Portela (PT-RR)
Para os cargos de suplência, foram eleitos:
Sérgio Petecão (PSD-AC); João Alberto Souza (PMDB-MA) e Douglas Cintra (PTB-PE). Ficou vaga a terceira suplência.
Fonte: Contatos Assessoria Parlamentar