O presidente da Pública, Nilton Paixão, deu uma entrevista na última segunda-feira ao “Conversa de Fato” falando sobre a criação da Central e a situação dos servidores públicos no Brasil. Acompanhe:
“Maria Candelária/ É alta funcionária/ Saltou de paraquedas/ Caiu na letra O/ Coitada da Maria/ Trabalha, trabalha/ Trabalha de fazer dó”...
Cantada por Blecaute, a marchinha Maria Candelária já fazia ironia com o servidor público no início da década de 1950. Já naquela época, o senso comum já achava que o funcionário ganhava muito e trabalhava pouco, retrato que Blecaute ironizava com sucesso no carnaval. O tempo passou e nada mudou quanto a esse preconceito. Hoje, milhares de pessoas procuram os cursinhos que preparam para concursos públicos, ouvindo mais ou menos o seguinte: “Vocês vão ralar, estudar muito agora para passar no concurso, mas depois nunca mais vão ter que se preocupar com isso”.
A ideia de que o funcionalismo, de modo geral, tem baixa produtividade e pouca atenção, de fato, com o público, a quem seu trabalho se destina, faz parte do preconceito que se tem com a carreira. Insere-se no fato de que os servidores são trabalhadores bem distintos dos demais: têm regime de trabalho diferente, com direitos e deveres que também são diferentes. Foi esse quadro que levou os servidores públicos a fundarem, em agosto, uma central sindical somente para eles: a Pública, presidida pelo presidente do Sindicato dos Servidores do Legislativo, Nilton Paixão. “Fundamos a Central porque as demais centrais de trabalhadores não estavam muito dispostas a discutir as especificidades da carreira do serviço público. Mas, criada a Central, estamos dispostos a enfrentar toda a discussão que envolve o funcionalismo”, diz Nilton, nesta edição do Conversa de Fato.
Nilton não foge, por exemplo, da discussão sobre a produtividade do funcionalismo. Embora defenda que a maioria dos servidores trabalha muito, reconhece a existência de problemas que precisam ser enfrentados. Especialmente da atual cultura do concurso público, que prega, de fato, essa ideia de que feito o esforço para entrar no funcionalismo, não será mais preciso trabalhar com o mesmo empenho.
Não foge, também, da ideia de que os servidores precisam, em alguns casos, dar mais atenção ao público. “Em toda repartição, há um cartaz alertando que é ilegal agredir o servidor público. Deveria haver um cartaz dizendo que também é ilegal o servidor agredir o cidadão”, diz o presidente da Pública.
No comando da Central, Nilton quer criar canais de aproximação dos servidores com o público. Principalmente aproveitando o conhecimento que os funcionários têm dos vários temas da gestão pública. “Queremos ser uma central de informação e produção de dados sobre o Estado brasileiro, reunindo os especialistas de várias áreas na discussão desses temas”, explica ele. A Pública quer criar uma agência de produção dessas informações, para produzir e distribuir estudos e estatísticas sobre o país.
Esses e outros temas específicos do funcionalismo e da sua relação com o Brasil foram discutidos nesta Conversa de Fato. Participaram da entrevista com Nilton Paixão o editor-chefe do Fato Online, Rudolfo Lago, e o repórter e colunista da editoria de Economia, Fabio Graner.
Para assistir o vídeo, clique aqui: http://zip.net/bpsmBT
Fonte: Pública Central do Servidor